domingo, 31 de janeiro de 2010

RABISCANDO - UMA FORMA DE COMUNICAR

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Tenho o gosto de ir rabiscando. Muitas vezes escrevo quando me lembro de algo. E isto leva a situações, por vezes, caricatas.

Por exemplo, estou a escolher as hortaliças no supermercado, e lembro-me de que... Tenho que escrever já, se não esqueço... E, rapidamente, procuro algo em que escrever dentro da carteira. Carteira onde a última coisa a encontrar é exactamente aquela que quero... Lá encontro um talãozinho que ficou esquecido numa anterior ida ao supermercado. Tem que servir... A “mesa de apoio” enquanto escrevo, é o dispositivo onde se coloca a moedinha no carrinho das compras.

Porque esta “urgência” toda? Porque, senão, a forma de exprimir as ideias varre-se. Umas dizem respeito a situações que estão guardadas há muito tempo na memória, outras são resultantes daquilo que vai surgindo no dia a dia. E é giro agarrá-las quando surgem.

Este rabiscar pode permitir uma partilha e troca de experiências e de sentimentos. Ajuda-nos a sentir mais completos e a pensar que, na generalidade, as coisas, as situações, as afectividades, valeram a pena. E, mais que tudo, podem continuar a valer.

Enquanto “estiver de maré”, irei rabiscando o que for saindo. Quando se esgotarem os temas a abordar, então, aí há sempre a hipótese de passar a palavra daquilo que nos foi deixado por outros e que, por isso, passa a ser também um pouquinho nosso.
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(Imagem retirada da NET)



quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

COMO DESCOBRI ESSE FANTÁSTICO COMUNICADOR, DALE CARNEGIE

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1974. Faziam-se as malas e os caixotes. Íamos de vez para a Metrópole. Por acaso, dei com dois pequenos livros que eram para deitar fora. Não sei porque razão, guardei-os. De um deles não me lembro já, nem sei que destino teve. O outro ficou guardado no meio dos meus livros, sem que nunca me tivesse dado ao cuidado de me debruçar sobre o seu conteúdo.

Mais uma vez tinha perdido os meus amigos; não estava nem no Liceu nem na Faculdade, aguardava que me chamassem para o Serviço Cívico que, na altura, não se sabia bem o que seria... Não estava “disponível” para criar novos laços afectivos. Tinha medo de tornar a sofrer com a perda de novos amigos.

Era a minha primeira “crise existencial”, já que a adolescência tinha passado despercebida de tão fácil e sem atropelos. Encontrei o livrinho de Dale Carnegie. O tal livrinho. que foi de muita ajuda em muitos momentos.

A partir dali, várias crises se foram sucedendo: a escolha do curso errado; um ensino, a meu ver, de mentira em salas e anfiteatros superlotados e mal equipados para o número de alunos... A falta de amigos que eu temia fazer!...

Um dia, vinha da Faculdade, quando passei por uma livraria. Era ele!... Era o Dale Carnegie!... Era o livro que eu tinha trazido... Só que na versão completa. O que eu tinha era apenas um pequeno excerto. O título era o mesmo: “Como evitar preocupações e começar a viver”

Desde aí, esta versão completa tem sido um amigo silencioso mas sempre presente. É um dos meus livros de cabeceira. Milhares, se não “milhões” de vezes, tem sido aberto e me tem transmitido as palavras de que às vezes preciso.

Gostaria de o ir partilhando convosco. De transcrever alguns dos pensamentos e experiências de vida que este espantoso comunicador nos traz através do seu livro.

Dale Carnegie

(Imagem retirada da NET)


É o caso de um dos conselhos que considero mais importantes e que a idade nos vai ajudando a adoptar:

“Não imitemos os outros. Procuremos encontrar-nos a nós próprios e manter, sempre, a nossa maneira de ser.”

"Todos nós somos diferentes. Cada um de nós é algo de novo, neste universo. Desde o começo do mundo, nunca houve ninguém exactamente igual a si e jamais haverá."



(Dale Carnegie)

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ARCO-ÍRIS E A PROCURA DE UM TESOURO

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(...) Procurando um arco-íris
com um nome(...)
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(Katie Melua)



Quantos de nós o têm procurado em vão; quantos de nós não o encontrámos já; quantos de nós não o deixámos passar ao lado; quantos de nós não o encontrámos, mas vivemos numa esperança adiada de que isso venha a acontecer.

Olhemos o nosso céu com atenção e também o pote daquele tesouro que é a amizade poderá estar lá ao fim do arco colorido, transbordante de cor e de magia.
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(Fotografias retiradas da NET)





segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

AMIZADE, QUEM ÉS TU?!... O QUE NÓS DISSEMOS...

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(Imagem adaptada da NET)


Quando, no outro dia, falávamos sobre a amizade, dissemos que, quando existe de verdade, não há “tempo” nem “onde”. Mesmo quando é interrompida, ela continua do ponto em que ficou.

Mas, tal como uma semente que cresce, precisa de ser alimentada. E, quanto mais podemos acompanhar o seu crescer, mais beleza, encantos e cumplicidades podemos descobrir e viver...

A amizade deveria ser uma energia que pudesse fluir através de nós e se prolongasse no tempo e no espaço, facilitando o encontro das nossas próprias energias e o seu reforçar __ viabilizando a realização de projectos.

Houve tempo em que tive um grupo de amigos muito restrito que temia perder. A diferença, em relação a hoje, é que já não temo perder amigos, não me importa o amanhã das amizades. Acredito que, só temos que as deixar fluir e fazer que, com isso, possamos levar por diante uma vida mais cheia e rica, independente do exterior físico...

Também disseste que amigos não agradecem. São-no, simplesmente.

Também concordo.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UM PROFESSOR MUITO À FRENTE... LUANDA - LICÉU NACIONAL SALVADOR CORREIA


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13, 14, 15 anos __ idade da irreverência, da provocação e do confronto com a autoridade.

Éramos uma turma formada só por raparigas e bastante razoável.

História, tinha sido uma das disciplinas minhas preferidas. Mas havia um senão naquele ano, a aula vinha imediatamente a seguir ao intervalo grande.

Dava o toque. Víamo-lo passar com o seu cabelo branco, passada tranquila e pasta castanha na mão. Para algumas de nós estava na altura de avançar para a porta da sala e acompanhar a entrada do professor, munidas com os nossos sacos de batatas. Algumas dirigiam-se para o fundo da sala, tiravam as canetas ou lápis e a folha de papel quadriculado para cima da carteira... Estava em vista uma renhida batalha naval! Outras sentavam-se nas carteiras vagas da frente para seguir a aula do professor. Até porque “at
é era interessante e, bem vistas as coisas, dum ponto de vista prático, a matéria já ficava meio estudada”.

Finalmente, as restantes iam entrando e oferecendo directamente as batatas fritas ao professor. E, depois, ficavam na sala ou voltavam a sair novamente, sem que isso fosse motivo de reparo por parte do nosso professor.

A História para mim e para outras das alunas não deixou de ser uma das disciplinas preferidas. Mas, ainda hoje me pergunto que pedagogia era aquela? Se o professor como pedagogo era bom ou mau. Ou se não estaria muito à frente?!...
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Seria o exercício de uma "democracia plena" para a qual , nós, miúdas de 13, 14, 15 anos não estávamos preparadas?!... Até porque isto se passou há quase 40 anos... Época em que nem tudo era permitido muito menos o "exercício da liberdade"...
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Assim, permitir a livre circulação dos alunos para dentro e para fora da sala de aula ao som do mastigar das batatas fritas compradas no intervalo grande, e conseguir ter atento e interessado um grupo significativo das alunas... me faz perguntar que, se calhar, não foi essencialmente o conteúdo programático de História que ficou daquelas aulas mas sim o sentido de responsabilização pelos nossos próprios actos.

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(Licéu Nacional Salvador Correia - Luanda / Angola)




(Imagens retiradas da NET)



domingo, 17 de janeiro de 2010

OS LUSÍADAS E UMA PROFESSORA QUE NÃO SE ESQUECE

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(Monumento do Descobrimentos - Belém / Lisboa - Portugal)



Luanda. 5º ano. Liceu Salvador Correia. Para além de competente, era delicada, bonita e perfumada. Dava as aulas de Português com grande empenho e conseguiu transmitir-nos o gosto pelos Lusíadas.

Um dia, calhou-me fazer a descrição da entrada da armada de Vasco da Gama na foz do Rio Tejo. Comecei a falar. Deixei-me envolver. Era um dia de sol esplendoroso... Continuei. As duas margens do rio deslizavam, à medida que íamos avançando... Ninguém me interrompeu.

Notei um sorriso ligeiramente trocista e atento na cara da professora, sempre doce e condescendente. Tinha acabado. Sentei-me. A minha colega de carteira, olhava para mim, com um ar meio surpreendido. Sussurra-me: __” Donde foste tirar isso?”. “Isso”, o quê?!... Só então me dei conta de que, a minha descrição não se tinha baseado apenas na leitura do livro, mas também na minha própria experiência, quando da entrada na barra do Tejo, numa viagem à Metrópole.

Não sei exactamente o que disse. Eu ia naquelas naus... E, a forma como a professora reagiu, deixou-me uma certeza: há professores que nos incentivam e que nos marcam não só pela sua competência, mas também pelo carinho com que nos tratam.



(Liceu Nacional de Salvador Correia - Luanda / Angola)



(Imagens retiradas da NET)