segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PARQUE DA QUINTA DA ALAGÔA - VIAGEM NO TEMPO - CARCAVELOS / CASCAIS / PORTUGAL

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Presente e passado...

Anos 80. Quinta da Alagôa. espaço selvagem, verde e desalinhado.

Eis, que surgem as moto-serras. Árvores que caiem, galhos que se soltam. Cada abate, é um golpe no coração... Até que se compreende. Vinha aí um novo jardim... Os espaços são criados no meio de toda aquela vegetação semi-selvagem. O novo jardim aparece.

O meu filho cresce bébé, cresce menino, a par daquele espaço, daquele oásis... Os vestígios de um passado de ameias e torreões, convivem de forma rústica e harmoniosa com o enorme lago, onde nadam patos e peixes. No Verão, é o coaxar das rãs, o bater das bolas nos campos de ténis...





2008. Volto lá. É isto que vejo.


Ficou a saudade das primeiras etapas do parque, talvez porque era lá que íamos dar comida aos patos e jogar ténis. Para além de que, não podemos voltar atrás no tempo...

O oásis continua...


Um novo olhar...


Geometria dos espaços...

Coexistência (1)...


Deslizando...

Ainda, como era...


Como está hoje...

O rústico desaparecido...


Onde está o rústico da pedra?!....


Mistura...

Os torreões em pedra, onde estão?...

COEXISTÊNCIA!...





Aliás, os pais dos bébés e meninos de hoje, deve ser assim que devem gostar dele...


CONCLUINDO - Está bonito, apesar dos "espartilhos"... O jardim que era, fica nos anos 80, 90.


PARA MUDAR O MUNDO - Provérbio

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" Antes de iniciar o trabalho de mudar o Mundo,
dá três voltas pela tua própria casa..."







 
O problema está que até mesmo dar essas três voltas não é fácil. Sim porque, por vezes, ela nem está direita. Está de pernas para o ar... Quantas vezes não dizemos: __"é só desgraças... só corrupção... parece impossível como ele (ou ela)... eles só..."

E será que olhamos bem direito para nós? Se calhar sim. Se calhar está tudo direito e até demos todas as voltas à nossa própria casa sem algum problema, mas...


 
(Imagens e frase retiradas da NET)


  

NAVEGAR - Poema de Fernando Pessoa

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a.d.(1986)

Fernando Pessoa (1888-1935), um dos expoentes máximos do modernismo do séc.XX, que escreveu o poema épico "A Mensagem", diria: "todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias)".
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"NAVEGAR"
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. a.d.
Navega, descobre tesouros,
mas não os tires do fundo do mar, o lugar deles é lá.

Admira a Lua, sonha com ela,
mas não queiras trazê-la para Terra.

Goza a luz do Sol,
deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.

Sonha com as estrelas,
apenas sonha,
elas só podem brilhar no céu.

Não tentes deter o vento,


ele precisa correr por toda a parte,
ele tem pressa de chegar
sabe-se lá onde.

As lágrimas?
Não as seques, elas precisam correr na minha,
na tua, em todas as faces.

O sorriso?
Esse deves segurar,
não o deixes ir embora, agarra-o!

Quem amas?
Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!
Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira,
conserva a vontade de viver,
não se chega a parte alguma sem ela.

Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.

Persegue o sonho,
mas não o deixes viver sozinho.

Alimenta a tua alma com amor,
cura as tuas feridas com carinho.

Descobre-te todos os dias,
deixa-te levar pelas tuas vontades,
mas não enlouqueças por elas.

Procura!
Procura sempre o fim de uma história,
seja ela qual for.

Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso.

Olha para o lado,
há alguém que precisa de ti.


Abastece o teu coração de fé,
não a percas nunca.

Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.

Agoniza de dor por um amigo,
só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também.

Procura os teus caminhos,
mas não magoes ninguém nessa procura.

Arrepende-te, volta atrás,
pede perdão!

Não te acostumes com o que não te faz feliz,
revolta-te quando julgares necessário.

Enche o teu coração de esperança,
mas não deixes que ele se afogue nela.

Se achares que precisas de voltar atrás, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!

Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continua.

Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!

Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
"O mais... é nada".



(Fernando Pessoa)



sábado, 21 de fevereiro de 2009

NÃO É "UM TURNER" - MAS FOI PINTADO PELO INCONSCIENTE

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"Inconsciente" - Malay (2000)


Quando a alma é mordida pelas incertezas de ser, a consciência se perde de si e a razão dos valores se baralha, eis que surge a luz da esperança de um novo retornar ao reconhecimento de si próprio, dos outros e dos lugares...

...É um sofrimento inconsciente, baralhado e denso, mas há sempre a esperança de um novo ressurgir. E, é isso, que nos anima a continuar a lutar...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

NEVES E SOUSA, PINTOR DE ANGOLA - QUISSAMA

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QUISSAMA - QUIXINGE


RAPARIGA DA QUISSAMA - QUIXINGE


QUISSAMA - QUIXINGE



..." o pintor Neves e Sousa, pintor de Angola, de sua paisagem poderosa, de sua poderosa gente, dos costumes, da magia e da realidade — ele tocou com seu lápis ou com seu pincel cada momento e cada detalhe do país e do povo. O sol de Angola imprimiu a cor definitiva da sua paleta.". - ( Escreve Jorge Amado)






QUISSAMA - ANGOLA

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Quissama _ Parque Nacional, área protegida para preservação de ecossistemas e para recreio, desde 1957.



Fica ao Norte de Angola, a 75 kilómetros de Luanda, entre o Oceano Atlântico, o rio Kwanza e o rio Longa. Ocupando 9500 km².


Rio Kwanza

Imbondeiro ( Pintura de Neves e Sousa)


A vegetação varia muito das margens do Kwanza para o interior do Parque, com mangais, mata densa, savana, árvores dispersas, cactos, imbondeiros e grandes zonas de arvoredo.

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Não é de estranhar que uma tal variedade de vegetação resulte numa fauna abundante e variada. Existem Manatins Africanos (Trichechus senegalensis), Palancas vermelhas (Equinus de Hippotragus), Talapoins (Miopithecus talapoin) e Tartarugas marinhas. Existe também uma grande variedade de aves. Que Neves e Sousa tão bem retratou, a pincel, a carvão, a lápis ou a pastel...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

NEVES E SOUSA "ANGOLANO POR FADO E CASTIGO"





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Desde pequena que oiço falar em Neves e Sousa. Em casa dos meus avós havia alguns quadros dele. Cubatas, indígenas das mais diversas etenias de Angola, faziam parte do meu imaginário...

Nunca tive a oportunidade ou curiosidade de procurar algo mais sobre ele. Até esta semana, em que soube da exposição, na Galeria Verney, de uma parte do espólio daquele pintor das gentes e paisagens angolanas.

A minha curiosidade foi acicatada... Passeei pela exposição e pela Net. Descobri, naquele espaço que me começa a ficar familiar, o seu cavalete, o seu banco e até o pote com os seus pincéis; os seus registos gráficos; fotografias do pintor nos mais diversos momentos da sua vida; livros; desenhos a carvão de grande beleza; esboços de traço rápido e preciso; um quadro a óleo (o seu último e inacabado quadro) e diversas aguarelas. Descobri um pintor de quem conhecia pouco mais do que o seu nome. Daí que me permita deixar aqui mais um ponto onde aquele "angolano por fado e castigo" possa vir a ser encontrado através das suas palavras e pinturas.




..."O meu caso de amor por Angola é quase tão velho como eu, pois bem jovem me levaram para lá."...


Mulher Mucubal

"...começou a doença da pintura, com tintas que a minha mãe tinha, e quando elas acabavam eu fabricava as minhas com terras e frutas bravas e os pincéis eram feitos com pêlo de bicho do mato, velhos cartuchos de metal que eu serrava e um caniço… O pêlo amarrado era seguro com pez e funcionava…"


Bessangana - Luanda

..."Comecei então a pintar com tintas boas e ao mesmo tempo a descobrir a praia, gente da minha idade, pessoas e coisas que não conhecia." ...

Mulher de Cabinda


..."Comecei a viver só, com 17 anos. Fiz a primeira exposição em Luanda."...

Viúva da Kissama


..."Era Angola a tomar a pouco e pouco conta de mim."...




…como não consegui viver em Angola vivia ela em mim, como coisa íntima e secreta e eu a mostro com o carinho de sempre a quem quer ou pode apreciá-la… por isso lhe chamo "Angola Minha Terra".

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ANGOLANO

"Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição.

Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças de outras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento."

(Neves e Sousa, 1979, Bahia)



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"RECANTOS e EM CANTOS de OEIRAS" - VISITA VIRTUAL

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Num espaço acolhedor e feito à nossa medida, os recantos vão-se sucedendo, permitindo-nos descobrir parte daquilo que ficou de um património extremamente rico em História, desta Vila que é sobranceira ao Rio e o acompanha nos seus mais diversos estados de humor.

De cada canto nos vão espreitando formas de olhar Oeiras diferentes, mais ou menos apaixonadas em que, tanto o presente como o passado, ficaram gravados na tela. Telas também elas trabalhadas das mais variadas formas e técnicas.

A cumplicidade dos trabalhos expostos, apesar de toda a sua diversidade, torna-os num conjunto onde imperam a harmonia das cores e, de alguma forma, dos temas, também, fazendo com que a exposição nos transmita uma certa tranquilidade e bem estar.

Vale bem a visita!...


A mancha, o espontâneo, o jogo da descoberta...
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As cores de fogo, o estar e não estar. Uma definição imprecisa.


O espreitar. Espreitar de um espaço; espreitar para além da alma e da própria vida, como diz a poetisa...


Verde esperança, verde natureza, verde clorofila, verde água...


Os cinza, os sépia. Jogos monocromáticos, portadores de sentimentos de tranquilidade e introspecção...


Janelas, luz e espaço...


A geometria e o rigor, a par do movimento subtil e da transformação das formas...


Mãos de mestra que nos enchem o olhar e as emoções...


Os verdes e os azuis, são um ponto de encontro do passado com o presente...


Um guia no entrar do Tejo...


Barcos, água, céu, gaivotas, marcos deixados do passado, tudo ingredientes de um canto debruçado sobre o Tejo...

Azulejos, batentes, marca bem definida da passagem do tempo....

O encontro com o presente. Uma marca do progresso.




domingo, 8 de fevereiro de 2009

ISALTINO DE MORAIS - COMEMORAÇÃO DO "ANO DO MARQUÊS" - OEIRAS - A VISITA DO SENHOR PRESIDENTE





"O Pombal" - Anabela Faia


Não tenho posição política nem nunca tive. Limito-me a apreciar e a avaliar as qualidades das pessoas enquanto tal.
Mas, quando um Presidente de Câmara está presente num encontro informal para apreciar os trabalhos dos seus concidadãos, conseguindo tempo e disponibilidade para isso, duma forma tão natural e afável, então, o seu concelho está bem entregue, pelo menos, no que respeita à cultura.

A NOSSA MESTRA - MUSA INSPIRADORA

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"A Fonte" - Anabela Faia


Chegou a minha vez de falar. Não estava a contar que tal acontecesse. Não sei o que disse. Mas, sem ter em atenção a forma, não devo ter dito muitos disparates, porque falei com o coração...

O que devia ter dito?!... Um montão de coisas __ que a nossa mestra, para nós, é uma amiga, uma companheira talentosa, atenta, motivadora e eficiente... E muitas outras coisas de quem nos conduz neste caminho, nem sempre fácil, mas fascinante, que é a pintura.

Acresce que, a nossa mestra, para além de nos desvendar os mais diversos segredos de como pintar uma tela, ensina-nos a sentir os nossos trabalhos, ensina-nos a entrar em diálogo com a tela, a encontrar o equilíbrio da cor e da forma, e a perceber quando um trabalho chegou ao fim. Até que ele toma vida própria e nos diz : __"Chega. Não pintes mais. Estou acabado..." E, nós, sentimos que entrámos na tela.

E, este diálogo, é maravilhoso...



sábado, 7 de fevereiro de 2009

"RECANTOS E EM CANTOS DE OEIRAS" - TÍTULO DA NOSSA EXPOSIÇÃO - UMA NOVA EXPERIÊNCIA PARA TODOS

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 " Memórias nunca adormecidas"


Uma experiência nova para a maioria de nós.

Tivemos a oportunidade de sentir um espaço que respirava a vivência do dia-a-dia de quando pintamos.


Pudemos sentir todos aqueles trabalhos tão nossos familiares jogar em harmonia no espaço e na luz. Um espaço onde nunca tínhamos entrado e que se tornou de imediato também um pouco nosso. Um espaço que era o culminar do trabalho de algum tempo e muito empenho. Um espaço que nos ajudava a espreitar Oeiras por diferentes prismas e sentires.

Todos os trabalhos expostos tinham chegado ao fim do seu percurso, depois de feitos e refeitos, à medida das nossas possibilidades. Agora, funcionavam como um todo harmonioso.


Era bom que se multiplicassem espaços como estes que permitissem a exposição dos trabalhos de quem pinta, incentivando mesmo quem não tem a pretensão de ser pintor, mas tem um gosto muito grande por esse bichinho que é pintar.


A Câmara de Oeiras deu-nos essa possibilidade. O que, foi uma honra acrescida ao facto de termos os nossos trabalhos a par dos da nossa "mestra", essa sim uma Pintora, e pelo facto de iniciarmos as comemorações dos 250 anos de elevação de Oeiras a Vila. Para além disso, o tema tinha que estar relacionado com Oeiras, o que, para nós, foi um desafio ainda maior mas muito gratificante.
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Atrevo-me a escrever no plural, porque penso que este é o sentimento, se não de todos, da maioria de nós. Pois, "Recantos e Em Cantos de Oeiras", será sempre um marco no nosso percurso, qualquer que ele venha a ser.



(Pinturas de Anabela Faia)