segunda-feira, 19 de março de 2012

PRIMAVERA

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(Foto no nosso quintal - Fevereiro de 2011)


"Aprendi com a Primavera a me deixar cortar.
E a voltar sempre inteira."

(Frase de Cecília Meireles)




Já a sentimos no ar, na pujança das plantas com as folhas a rebentar e as flores a abrir, no cantar dos pássaros e nos dias maiores. É a Primavera que aí está a chegar. Como ela e com ela, podemos tentar fazer brotar a energia para novas coisas e a alegria de viver... Cortemos o que não interessa e deixemos renascer, brotar novos projectos, novas ideias e amparemos as velhas amizades. Uma roupagem nova para  o já conhecido e velhinho percurso de vida. 




quarta-feira, 14 de março de 2012

HISTÓRIAS DE ARANHAS

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Que todos sabemos que as aranhas são aracnídeos fundamentais para o equilíbrio de muitos ecossistemas ao alimentarem-se dos insectos em excesso, não surpreende ninguém. Mas, que podem ser importantes por muito mais do que isso, é que já nem toda a gente sabe!... Há mesmo quem as deteste. E, com excepção das que são venenosas, não haverá razão que o justifique.





PRIMEIRA HISTÓRIA


"TESOURO"



Era jovem. Andava na Faculdade quando, numas férias, fiz parte do intercâmbio de estudantes que nos permitiu ir passar três semanas com uma família num pequeno vilarejo perto de Cambridge.


A mim, calhou-me uma família onde estava instalada também uma moça francesa com quem fiz amizade. Foi uma experiência extraordinária e muito enriquecedora.


Na família, havia um rapazinho, o David, e a sua irmazita, a Davina, que esperavam mais um irmão para breve. Ganhei as boas graças do David, a ponto de partilhar comigo o seu segredo mais bem guardado. Certo dia, "arrastou-me" cautelosamente para as traseiras da casa onde havia uma pequena casa-de-banho que parecia não ser utilizada normalmente. Entrámos. Pediu-me silêncio. A aproximação foi "estratégica"... É, então, que o David aponta orgulhosamente para o seu "tesouro". Mais precisamente para o canto do parapeito da janela e diz: __" Look, my spider!..."


Desvalorizando o facto de já estar morta e ressequida com as patas encarquilhadas para o ar, sem dúvida de que era um pequeno tesouro, até porque "as aranhas trazem sorte"...





SEGUNDA HISTÓRIA


"PERSISTÊNCIA"



Na nossa escada em "caracol" abrem-se duas "vigias" alongadas na vertical. O remate do caixilho de uma delas não estava perfeito. O que acabou por constituir o lugar ideal para que uma aranha aí se instalasse. Ao longo de muito tempo, possivelmente anos, ela lá permaneceu, independentemente de irmos destruindo o rendilhado em seda que aquele bicharoco laborioso se afadigava a construir teimosamente.


__"Matá-la?!...": __" Fora de causa!..."; __"Apanhá-la e pô-la fora de casa?!...": __"Também não." Restava a paciência para ir desfazendo aquela renda delicada, que era a sua teia, feita com o mesmo esmero de uma Penélope esperando pacientemente o regresso do seu herói e amado Ulisses.


Um dia, apercebemo-nos de que ela já lá não estava. Foi, então, que vedámos de uma forma mais eficaz as frestas da dita janela.


E, agora?!... __"Querem saber um segredo?!..."; Teria preferido continuar a desmanchar as teias. Já fazia parte da casa. E, pelo sim pelo não, não seria até que era capaz de nos trazer alguma sorte?!...





TERCEIRA HISTÓRIA


"COMPANHEIRA"


Uma amiga que me é querida passa alguns serões sentada no seu sofá de canto, enquanto vê televisão, lê ou ouve música. O sofá fica encostado ao canto da sala onde se encontra um candeeiro de pé com uma larga base circular.


Quando nos juntámos em sua casa, contou-nos a história da sua "aranha de estimação". Ao cair do dia, quando começava a escurecer, a aranha, que se eclipsava completamente durante o dia, dava sinal de si. Punha-se junto à base do candeeiro e do lado do sofá, e aí permanecia até que a nossa amiga apagasse a luz e se fosse deitar. "Ia fazer-lhe companhia!". Só podia!...


Ao ouvirmos este relacto e porque já estava escuro, fomos todas espreitar. Mas não, ela não estava lá...


A conversa continuou, até ser hora de nos irmos embora. O Sol já tinha desaparecido havia tempo, a luz do candeeiro já estava acesa. Começaram as despedidas, vestiram-se os agasalhos... E se espreitássemos outra vez?!... Lá estava ela. Tímida e frágil, mas presente!


O que "pensará" uma aranha? O que é que ela vê? O que será que "sente"? Sem dúvida de que vem em busca de alguma coisa. O quê? Os bichinhos que se dirigem para a luz, ou a companhia de alguém que ela sente presente em muitas das noites?


A Biologia explica muita coisa. Será que explica isto?!... A teia do Universo que nos rodeia é demasiado complexa.Vamos acreditando que estes pequenos seres, tão úteis no equilíbrio de alguns ecossistemas, até talvez nos possam trazer sorte, ser um amuleto ou simplesmente companheiros nas nossas casas que nos podem acompanhar por muito tempo. Quanto tempo, não sei. Mas muito pode ser. Sou disso testemunha...







(Fotos retiradas da NET)

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terça-feira, 13 de março de 2012

OS TEUS TÉNIS VERDES

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(Foto 2012)





Os teus ténis verdes, no sótão fui encontrar.
Estavam lá arrumados, numa caixa guardados.
Tão pequeninos!... Voltaram à luz do Sol.
Os teus ténis pequeninos voltaram para me fazer lembrar...
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Foram prenda de baptizado, ainda mal te sentavas sozinho.
Ténis pequeninos, os primeiros que tiveste.
Cresceste mais um pouco, e nos pés tu os calçaste.

Qual varinha mágica, levaram-te à descoberta...
Descoberta de um novo mundo que se abria para ti...
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Os teus ténis pequeninos acompanharam muitos dos teus passos.
Levaram-te ao encontro de outros meninos do parque;
Levaram-te a dar o pão aos peixes do lago atrás da casa;
E a espreitar as tartarugas...
Correste atrás do pavão e da bola que te fugia...
Caíste e levantaste-te.
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Ténis pequeninos que voltaram à minha mão...
São, agora, eles que me fazem a mim correr.
Corro atrás das lembranças de quando tinhas calçados os teus ténis verdinhos.
Trazem-me lembranças de tantas coisas que só se podem fazer quando um de nós tem calçados uns destes ténis tão pequenos que florescem na conquista de momentos divertidos, descontraídos e que passam rápido, como eles rápido deixaram de te servir...
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Os teus ténis verdes, vão continuar guardados,

Quem sabe, um dia, não te façam a ti correr pela lembrança de quem tanto te quis...
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sábado, 10 de março de 2012

PORTUGAL / LISBOA - À BEIRA DO RIO TEJO - CENTRO DE INVESTIGAÇÃO CHAMPALIMAUD

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Centro de Investigação da Fundação Champalimaud. Centro de investigação científica multidisciplinar de referência no campo da Biomédica __ particularmente, no que respeita a aspectos de aplicação clínica nas áreas das Neurociências e da Oncologia.
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Todo o seu envolvimento é simples e futurista. Dizem-me que faz lembrar a quilha de um barco, quando visto do rio. Talvez antevendo que, com o esforço dos investigadores nacionais e estrangeiros que lá trabalham, muitas das doenças que afectam tantos seres humanos possam vir e ser prevenidas, diagnosticadas e tratadas mais facilmente num futuro talvez até já presente...

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Mais uma esperança para tantos outros como eu!...
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(Fotos tiradas em Março de 2012, em Belém - Lisboa)

sexta-feira, 9 de março de 2012

PORTUGAL / LISBOA - SONHO LUSITANO

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Em busca de novos mundos e em defesa de uma pátria querida... É assim que, esta jóia da arquitectura manuelina do século XVI, constitui um marco que representou (e temos que fazer com que continue a representar) um baluarte do sonho lusitano..

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Projectando-se para a outra margem desse Tejo, abrigo das Tágides que tanto encantaram Camões, a ponte, a Torre e as canas refletem a sua imagem nas águas que correm lestas...

Neste final de Inverno, as canas suspensas sobre as águas que correm sem parar, são o símbolo da esperança do peixe que há-de vir e do Futuro que temos que agarrar. Já o tivemos na mão tantas vezes e tantas vezes o deixámos fugir... O tempo corre rápido e é o próximo o que temos que "pescar".
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No passado, naus e caravelas, velas brancas com a cruz de Cristo... Hoje, barcos de recreio, velas coloridas, padrões lisos ou imagens de propaganda publicitária...

No passado, navegou-se um rio que se fez ao mar. Viagens longas, tenebrosas, corajosas, empreenderam os nossos marinheiros que partiram à conquista de novos mundos. Muitos deles, no fim, aqui chegaram; muitos outros, por lá ficaram.

Hoje, as velas coloridas ou brancas não abandonam o aconchego da foz de um rio que também sabe ser caprichoso. As viagens são curtas, mas o prazer de velejar talvez até tenha também ainda uma pitada do sentido de aventura..


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Somos um país pequeno em tamanho e em arrojo na tomada de decisões para serem levadas a cabo. Mas, a bandeira, continua a marcar presença no cimo do mastro. Lembrando-nos de que, talvez, seja a hora de começar um novo ciclo, como foi acontecendo ao longo da nossa já longa História. Será difícil, mas nunca é tarde para tentar de novo recomeçar!....

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(Fotos tiradas em Março de 2011, em conjunto com L.A.)


( NOTA: A Torre de Belém, projectada na época de D. João II para integrar o plano defensivo da Barra do Tejo, foi construía por D. Manuel, no século XVI, sendo, então, o local de onde partiam as frotas para as Índias).

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quinta-feira, 8 de março de 2012

CONCORRÊNCIA FEROZ




(Foto tirada numa grande superfície em Março de 2012)


O mundo das compras em Supermarcados é também, necessariamente, uma parte do meu mundo.

Quando a pressa não aperta, gosto de comparar preços, validades, o estado das embalagens. Gosto de escolher as peças de fruta e legumes. Gosto de ler os rótulos, de descobrir coisas novas (ainda que mais não seja por simples curiosidade e saber da sua existência). Gosto de saber qual a finalidade e modo de utilização de produtos e coisas e de ter a possibilidade de escolha, pela qualidade e preço, daquilo que já conheço.

Hoje, fiquei baralhada... hesitante... Peguei, larguei, tornei a pegar... Até que a "marca branca" venceu. A concorrência é feroz e, a imagem, é bem prova disso. À medida que os meses vão passando, é bem visível que a diversidade vai sendo cada vez menor em alguns expositores, prateleiras ou balcões frigoríficos e que quem ganha é a marca da casa, que se vai "alastrando" com alguma rapidez.

Com estas diferenças de preço em coisas tão pequenas, quem não cede?!... Hoje, deixei no balcão frigorífico uma das marcas de que sempre gastei. Venceu o concorrente mais "forte". A diferença de preço falou mais "forte". Veremos se, quando cozinhar o milho, a qualidade também é mais "forte" ou, no mínimo, equiparada.

Tirei uma foto dentro de um estabelecimento sem autorização e estou a incluí-la no meu "Blog". Terei infringido alguma lei?!...Talvez sim. Mas senti-me mal ao ajudar o Golias das grandes superfícies a vencer o David da venda a retalho ou das marcas de menor dimensão. E não é isso que está a acontecer a cada esquina?!... Vê-se pelas lojas que vamos vendo fechar ou baixar a qualidade. A proveniência demasiado exclusiva de grande parte dos artigos de todo o tipo começa a ser excessiva. Por exemplo, nalguns casos, "Made in China" é quase certo. Só que fica a pergunta: E os "Davides" que estão aqui pela nossa velhinha Europa?




domingo, 4 de março de 2012

PESCANDO SOBRE O TEJO

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Suspensas no tempo, no espaço e na ilusão as horas passam sobre a contínua corrente do rio... Olhando o Tejo, a ponte 25 de Abril e o Monumento dos Descobrimentos debruçamo-nos sobre a nossa História e o caminho para o Futuro. Não se pescam peixes mas a esperança na chegada de dias melhores.


(Foto retocada a partir da tirada em Março de 2012 por L.A.)


sexta-feira, 2 de março de 2012

ALTURA / ALGARVE - CÁ FICO ESPERANDO POR VÓS!...

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(Fotografia tirada em Fevereiro de 2012)


Adeus, Altura!...
Fica a promessa de novo regresso.

Os frutos da tua terra que vamos vendo crescer,
Vão marcando as estações...
Hoje, é Inverno.
O fresco do ar faz-nos, agora, agasalhar.
Quando voltarmos,
será Verão.
O fresco do teu sumo far-nos-á, então, a garganta refrescar.

Deixas a sombra dos teus ramos espraiar-se pela parede,
Enquanto os teus frutos redondos e laranja regalam o nosso olhar.
É imagem que fica na hora da nossa partida,
Enquanto os teus braços nos dizem, à boa maneira algarvia:
"Adeus, amigos! Cá fico esperando por vós!..."