terça-feira, 30 de junho de 2009

QUANDO ACABAVA DE ESCREVER ... ENCONTREI.

.





.

Quando acabava de escrever o rascunho do "post" " ("25/4 - ABRIRAM A TAMPA DA SANITA E NÃO HÁ QUEM A FECHE") e, procurava a sanita para o ilustrar, encontrei, por acaso, este texto de Drummond de Andrade. Não pude deixar de rir... Quando o comecei a ler pensei, "Isto não parece dele..."; mas, depois, compreendi, e adorei... Até porque me fez lembrar uma pequenina história, do Zé Carioca, de que tanto gostava.

Concluindo, acabei por lhe dar prioridade... Amanhã, passo o outro... Para coisas sérias e graves... Já basta a vida de tantos milhões...



"Satânico é o meu pensamento a teu respeito e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão,

numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.

A noite era quente e calma e eu estava em minha cama,

quando, sorrateiramente, te aproximaste.

Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor!

Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.

Até nos mais íntimos lugares.

Eu adormeci.

Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.

Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.

Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar.

Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força.

Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos.

Só descansarei quando vir sair o sangue quente do teu corpo.

Só assim, livrar-me-ei de ti, mosquito filho da p***!"


Drummond de Andrade




.

"AMOR" É "AMIZADE"?

.






(NET)

A pergunta era __ "Amamos os nossos companheiros?!..."

Não sei o que é o "amor". Se "amor é fogo que arde sem se ver". Não sei se senti esse fogo...

Mas, se é pensar-se que é o único companheiro que queremos para a vida e para além dela...

Mas, se é pensar que é o amigo dentro de todos os amigos...

Mas, se é a mão que queremos sentir em momentos de insónia...

Mas, que é o calor que queremos sentir na cama...

Mas, se é o perfil que queremos ver a nosso lado quando vamos de viagem...

Mas, se é quem gostamos de acompanhar quando atarefado e deligente ampara as buganvíleas...

Se é aceitar quem nem sempre satisfaz as nossas vontades...

Se é o homem que gostamos que tenha sido o pai dos nossos filhos...

Se é uma amizade, muito, muito grande, que perdura para além da morte...

Então, sim, acho que amamos os nossos companheiros... De hoje, de ontém e de sempre...

.

Quando passava para um caderninho o que tinha escrito sobre o que pensava sobre o "amor"... Encontrei um papelinho dobrado em quatro... Não me lembrava dele. Abrio-o para ver o que era...

Estavam escritas algumas frases de pessoas célebres e, uma delas chamou-me a atenção. Era, a definição de "amor", de Victor Hugo __ "Amor é ser dois num só" . Sinceramente, penso que é difícil, porque, somos indivíduos, com personalidades diferentes, que se devem completar... E, é isso que devemos guardar até ao fim dos tempos __ esses tempos de partilha do que foi ou é uma vida em comum...

.

16... - NÚMERO MÁGICO - MOTIVO DE ORGULHO...

.





.


24 de Junho fez 881 anos que, no Condado Portucalense, e aos 16 anos, o nosso primeiro rei de Portugal __ D. Afonso Henriques, venceu sua mãe, Dª Teresa de Leão, na Batalha de S. Mamede (24/6/1128). Desejo crescente de alcançar a independência do Condado em relação ao Reino de Leão e Castela. Foi uma das bases da fundação do nosso país. Deveria ser, motivo de orgulho, para todos nós Portugueses.


Sem dúvida, para um jovem de 16 anos, um feito destes, ainda que fosse contra os interesses da própria mãe, exige muita coragem e determinação. Mas, para mim, D. Afonso Henriques não passa de um vulto da nossa História que terá sido um dos responsáveis pelo país em que vivo. Não o conheci. Não lhe conheci as motivações. Para confirmar alguns dos dados, tive que recorrer à NET.
.
Não. Não precisamos de ir tantos séculos atrás, para encontrar outros 16 mágicos e dignos de orgulho. Basta-nos recuar ao início do século XX. Não necessitamos de personagens históricas. Basta-nos conhecer gente comum que teve 16 anos.
.
16 anos. Classe média. África. Angola. Destino de sonho, gosto de aventura, vontade de vencer. Os pais desolados. A mãe chorosa.
__” Agradeço-vos, meus pais, por me darem tudo de que preciso. Tudo o que por mim fizestes ao darem-me as ferramentas de que necessito. Ensinaram-me a ler, a escrever e a contar. Agora, deixem-me ir. Quero ir para Angola. Sou homem suficiente, para construir a minha vida.”
Assim, foi. Aos 90 anos, ainda, ia ao escritório da firma. Aos 90 anos, ainda, voava para a sua Angola. Aos 90 anos, apesar das voltas que o Mundo dá, tinha as suas três Marias junto de si e, suavemente, se apagou, com a lucidez de quem soube sempre o que quis. Só lamentava por, afinal, “ter deixado tão pouco”. Esquecendo-se de que deixou o principal __ o seu exemplo de vida.
.
Tinha 16 anos de vida difícil. O pai pastor. A mãe, fazia caldos com ervas do campo, para dar sabor ao caldo, que fazia com o pão que conseguia arranjar para matar a fome aos filhos, caso não houvesse mais nada. Andavam descalços. Dormiam numa casa com uma só divisão que partilhavam com a borreguinha e a cadela. Mais a burrinha, que era as pernas do pai, quando ia para o campo. A casa tinha telhado feito de caniços. 16 anos. Era a altura de partir para a Capital. À escola, já não foi. Tem uma casa em que as vigas vão ser, agora, de betão. Uma filha Dr.ª e o filho a caminho de Eng.º. Trouxe uma mala de cartão para a Capital e vontade de aprender a escola que não teve... E, de viver todos os possíveis momentos que a vida lhe tem vindo a proporcionar.
.
Aos 18 anos, deixou a casa da mãe, mulher viúva, com 5 filhos para criar. Moçambique, no sangue. Tempo de retorno. Loira, alta, esbelta, frontal e perspicaz. Não recusa o confronto. Lisboa, espaço pequeno, não chega... América __ “The American Dream”. Os estudos ficaram. Houve que aprender uma arte. Hoje, apesar dos baldões que a vida lhe tem dado, permanece de pé. É a vez do filho partir. Menino, ainda com 16 anos.

Aos 16 anos, teve que mudar de Liceu. No mesmo ano em que recebia o Prémio Maria Vitória, atribuído ao melhor aluno do ano em Portugal, o Reitor chamou-o ao seu gabinete. Não o conhecia pessoalmente. Comunicou-lhe a ordem que recebera. Teria que ser transferido para outro Liceu do Porto.
__” Mas, Senhor Reitor, nesta altura do ano não pode ser. Estamos a menos de um mês do final do ano. Não me aceitam a transferência."
__” Não te preocupes com isso. Eu trato do assunto. E, boa sorte, rapaz!...”
Aos 16 anos era incómodo. Tal como muitos outros jovens, na altura, fazia umas “asneiritas”. Tinha 16 anos, ainda não tinha idade para ir preso ou deportado... Sim, porque pensar, às vezes, pode ser incómodo.

É, por isso, que digo que, para mim, o 16, deve ser um número mágico... Até porque, há muitos outros 16... Ou, talvez, também, 17, 21, 90...

Quem dera a força, a inconsciência e a seiva dos 16.

Crescemos e os ramos murcham, o viço das folhas esmorece... Mas, ainda há algumas ervas daninhas. Essas, são tão resistentes que continuam a deixar a seiva circular. Talvez não sirva de nada. Mas, também, que importa?!... São só ervas daninhas!... E, como ervas daninhas que são, deixam correr suavemente a seiva até ao fim dos seus dias, depois de uma vida de luta.

Que o diga, um homem que, um dia, se intitulou a si próprio de “Zé Ninguém”. A quem já a ninguém importavam as suas histórias...

Quantos “Zé Ninguém” não temos nós neste país, que foi fundado por um jovem de 16 anos __ o Primeiro Rei de Portugal. O Conde D. Afonso Henriques.

Será que, 16, é mesmo um número mágico?!...

.

HOJE, FOI DIA GRANDE!...



INICIANDO A MENINA DOS CABEOLOS VERDES

Martin , 2009


INICIANDO... O ESCARAVELHO

Malay , 2009


ACABADO - "MARINHA"
Deni , 30 de Junho de 2009


ACABADO - "SABEDORIA, DO NASCER AO PÔR DO SOL"

Lola , 30 de Junho de 2009



ACABADO - "UMA FLOR PARA TI"

Labocha , 30 de Junho de 2009


.

"SONHO", de FERNANDO PESSOA, CANTADO POR MARIA BETÂNIA

.
A TUA FLOR...
.
FERNANDA LABOCHA, 30 de Junho de 2009


video

PESSOA, BETÂNIA E MILHÕES DE NÓS,
.
acreditamos nesta canção (ou temos que acreditar) __ .
"...VIRAR ESSE MUNDO, CRAVAR ESSE CHÃO; LUTAR POR UM POUCO DE PAZ..."
.
Conheci e, vou conhecendo, .
" ...QUEM VEJA UMA FLOR BROTAR DO IMPOSSÍVEL CHÃO"...
.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

MIRAGEM - UMA GARRAFA DE ÁGUA...

.




.



Uma garrafa de água...


A miragem de quen tem sede...


Quem a pôs lá?!... Não se sabe.


E se, a vissem, num campo de refugiados em África?!


Possivelmente, seria uma miragem...


Assim, não... Nem se sabe, porque ficou ali...


Um esquecimento, em cima do muro?... Uma brincadeira?!...


Quem sabe?!...


Estava ali, um dia, ao sair da B.


Afinal, esta não pinto.
.
Assim, é uma miragem mais real.
.
Mais real...
.
...do que qualquer "hiperrealismo" que podesse pintar...


.

.

ROUBEI-O




" Simbiose" - Ana Camilo



Pela calada da noite, fui visitar o "blog" de uma jovem pintora promissora. A Ana Camilo. Costumo estar com ela aos Sábados. Mas, está em época de exames e, por isso, não sei quando a vou ver. A ela, ou, à Mãe...


Virei ladra... Arrastei o seu quadro, até aqui. Quadro, que até ganhou um prémio lá fora... Se mo exigirem, devolvo-o. Mas, gostava que mais gente o visse... Não é para isso que servem os nossos quadros?!... Para partilhar?


Quem cala consente... Enquanto não tiver reclamações, vou-o deixando ficar.
.

O QUE ENCONTREI NO SUPERMERCADO?!...

.
.
Cheguei do Supermercado.
Tenho pilhas de trabalho para fazer, já que me comprometi, a fazer isso tudo, durante o dia de hoje.

Valeu a pena ?!...

À porta encontrei um jovem negro que falava com alguém ao telemóvel. Lamentava a sua morte porque tinha, apenas, 50 anos. Pedi, para interromper. Ele sorriu-me, dando-me luz verde. Disse-lhe:
__” Sabe... o pior é que ele não aceitou a sua capa negra e puseram-no a trabalhar demasiado cedo.”;
__”É verdade”, respondeu-me.
Aproximámos os braços __ o dele muito negro, o meu, dito de cor branca, e, ainda jovem. Tenho 52 anos. E, ele, é negro...


.
No talho, encontrei o Sr. P. (um dos nomes do meu filho, por isso, não o esqueço mais). Ao acabar a minha encomenda, expliquei-lhe a razão das fotografias e, ele, disse-me: __” Pode pô-las à vontade... não devo nada a ninguém.”
Ao dizer-lhe que gostava de o ver a trabalhar, com aquela idade, (55 anos), duma forma tão profissional e com tanta alegria e atenção, respondeu-me:
__” Sabe, porquê?!... Agora, deixe-me que lhe conte um pouco da minha história. É que emigrei para países árabes e para a Europa. Aprendi muito com eles. Sobretudo, gosto muito do que faço.”




Na caixa, a menina atendeu-me de forma solícita e simpática. Oferecendo ajuda para arrumar as coisas no saco, enquanto eu ia tirar a carteira para pagar. Mas, em vez disso, acabei por tirar a máquina fotográfica...
Não lhe perguntei o nome, mas perguntei-lhe se podia tirar a fotografia e colocá-la no meu “blog” (Ainda não sabia o que ia fazer com ela). Expliquei-lhe que se o fizesse ela iria para a NET. Ela disse que não se importava. Também me disse que gostava do que fazia...


À saída, encontrei uma ex-colega, também de Ciências, mas de Físico-Químicas. Já velhota. Trabalhámos em projectos comuns na Escola, na “Semana das Ciências” e em exposições da “Semana da Escola”.
Está muito desolada. São os olhos, as cataratas... É o genro desempregado... não gosta do seu nome __ Maria da B N.

O nome ele tem uma história. “É o nome de um castelo em Jerumenha, Alandroal, (se não estou em erro...) em que os castelhanos (...). Por isso, todas as raparigas eram Maria da Boa Nova..."
Sim, B.N, não podemos baixar os braços... Não ganhamos nada com isso e, talvez, se o não fizermos, tenhamos alguma coisa a ganhar. Nem que seja a certeza de que temos mãos...


Entretanto, passaram duas outras colegas. Iam com pressa. Encontros que já começam a ser comuns. É como diz o anúncio... Só que, aqui, é real... Também elas têm um cãozinho. Desde sempre acreditaram em sonhos. Fizeram por realizar os que estavam ao seu alcance. Nunca baixaram os braços. Foram comprar as suas duas maçãs, uma para cada uma.

Segui com o meu carrinho de compras...

Sim, valeu a pena a ida ao Supermercado. O "nosso" Supermercado.

Agora, vou para as minhas pilhas de trabalho. Essas, só podem esperar até um certo ponto, porque tomei um compromisso...

.

O SEGREDO DOS SEGREDOS...

.
.

.

.
.
Desta vez, mando-vos o nosso cãozinho. Só que, agora, com um segredo... mais precisamente dois... Ou será que são mais?!...

Quando, precisarem de satisfazer um desejo __ abrem o fecho do cãozinho, e sussurram o vosso segredo lá para dentro. Foi uma mãe chamada S., que o ensinou ao seu filho P.

Então, o pequeno P., passou o dia a abrir o fecho e a segredar lá para dentro. Depois, fechava-o bem fechadinho... Só que há um outro segredo. E, esse, ensinou-o ele à mãe, quando ela lhe perguntou quais eram os seus segredos... Não os podemos revelar aos outros, em voz alta, para que eles se realizem...

Hoje, em Los Angeles, Hollywood, há uma nova frase que corre, que se repete, que se canta: __”We are the World __ black and white...” , em homenagem ao Rei da Pop. Só a ele?!...

Outro do segredos que todos nós deveríamos segredar era o de que todos tivessem uma vida decente. Não de um Ronaldo que é o ídolo de multidões, tem um Austin Martin, e que vale pelo seu esforço... Não de um Michael com o seu “castelo” e milhões de “fans”, pelas suas capacidades... Não de tantas personalidades perseguidas pelos "paparazzi" como a Lady Dy... É bem mais simples, é o de pessoas comuns cujo sonho é o de estarem onde estão, serem o que são, e conseguirem levar uma vida digna à custa do seu trabalho ou do que dele resultou.

Só que, para acreditarmos neste cãozinho mágico, precisamos de não ver o que se passa no Iraque, ou em África, ou na América do Sul; ou, na Europa?!... No nosso país?!... Na nossa rua...

Oh, P. !... Não percas nunca o teu cãozinho. Assim, ninguém sabe quais são os teus segredos e se eles se realizaram. Só tu!...
.
.
.

BIOLOGIA - O QUADRO QUE TE REPRESENTA

.
.







"BIOLOGIA" - Malay/2009

Bilogia __ Será uma boa ferramenta para a vida?!
Tudo, depende de nós...
.
.
.
__" So, You are my dear Ghost"... __ "Ghostwhispering" -( "O fantasma da maledicência"...)
E, perguntas-me, o que ando a fazer?!...
Para já, nada. Ando a sacudir os meus fantasmas. Fico com os bons e, os maus, esqueço-os...
.
Depois, logo se vê!
.
.
.

domingo, 28 de junho de 2009

O PODER DAS PALAVRAS...

.
A última aula, da minha vida, como professora.

Estava doente... Vinha a arrastar-se ao longo de alguns anos. A última crise, não tinha ocorrido havia muito tempo, pois, ainda estava sob o efeito de medicamentos, que enfraqueciam a minha genica e vontade de vencer barreiras, até mesmo físicas.

A turma era muito difícil. Tínhamos a aula, de 90 minutos, a seguir à hora de almoço. A nossa última aula do dia.

Como a sala estava vaga na hora anterior à do início da nossa aula... ia para lá. Montava todo o material necessário, para facilitar as condições de estar às duas meninas com cuidados especiais. Eram empenhadas, pontuais, mereciam o melhor que lhes podesse dar... Não era só por elas, evidentemente, mas, também, por elas.

Ia para a sala uma hora antes, para ter tudo preparado, com o auxílio da funcionária A, que sempre arranjava maneira de encontrar soluções para algum problema que podesse surgir. __ O rectroprojector que não funcionava; a extensão que faltava; o ecrã que lá não estava ou que era outro e tinha o suporte partido...

Tal, como nesse dia, depois de tudo pronto, deitava a cabeça sobre o tampo da secretária, para tentar ganhar energia para, mais uma aula, com aquela turma. Era a hora depois do almoço. Os medicamentos faziam o seu efeito. A turma era muito difícil, mas tinha alunos interessados e esforçados. Em especial, aquelas meninas.

Um dos alunos da turma, era um caso muito problemático. Tinha tentado todas as estratégias para o captar. Estava para além de mim... Estava para além das aulas... Estava para além da Escola... A chamada de atenção, permanentemente, pela negativa, era a mais frequente...

Naquele dia, mandei-o sair da sala. Dirigiu-se para a porta. Abriu-a com violência e voltou a fechá-la, batendo com ela. Já fora da sala, gritou : __”Sua P***!...” Fora a primeira e única vez em vinte e... que tal me aconteceu.

Ele, estava zangado com a vida... E, quem sabe, talvez, com razão?!... Eu, estava doente...

A aula, decorreu, normalmente, daí em diante.

Arrumei a sala, depois de ajudar a encaminhar as duas meninas de cadeirinhas de rodas até ao átrio da entrada. “O Sr. da carrinha estava à espera e não podia esperar”.

Estava doente. Dirigi-me à sala dos professores e comecei a fazer a participação. Talvez, ainda esteja em arquivo, se é que não passou muito tempo...

A DT fabulosa que eles tinham, passou pela sala, por acaso. Contei-lhe o sucedido. No jeito tão seu, disse-me que não me preocupasse. Ela, ia resolver o assunto... ia falar com ele...

Estava doente... Foi o meu último dia como professora no activo.

Foi a palavra?!... As palavras só valem pelo significado que lhes dermos. Sobretudo, quando não são as palavras certas é deixá-las passar. Só que, tinha chegado ao limite das minhas forças, das minhas capacidades. Tinham-se esgotado...

Estava doente...As mãos baixaram...

.

sábado, 27 de junho de 2009

DISCUTIA-SE O "K", QUE É O MESMO QUE, "CÓCÓ", OU OUTROS SIGNIFICADOS QUE VÊM NO DICIONÁRIO...

.
.



(NET)
.
Tudo começou, com a discussão do projecto do meu próximo quadro.

Era Sábado.
.
Como, em todos os Sábados possíveis, nos juntámos. Discute-se, de tudo. Desde as coisas mais disparatadas e comezinhas, como a coisa mais absurda e utópica, que é a de nos revoltarmos contra as injustiças. Sobretudo, em relaçãso a quem mais precisa e mais luta, por aquilo, a que tem direito, como todos nós.

A nossa mesa é farta, ainda que seja de cuidados e entre-ajuda, e, de muitas outras coisas...

“COPRÓFAGO”, é um animal que se alimenta de excrementos- Há uns escravelhos verdes, que devem existir no Egipto, que são coprófagos. Estes pequenos animais, foram adorados no Antigo Egipto. São verdes. Foram esculpidos na pedra. Fizeram parte do espólio de túmulos de faraós. Foram adorados, numa que foi das civilizações, mais antigas e fascinantes, do Mundo Ocidental.

Coprófago é, pois, um animal que se alimenta de “CÓCÓ”, ou seja, "MERDA", palavra que vem no Dicionário. (Desta vez, não tem “bolinha” nem “pis....”, porque, a palavra, é essencial , na nossa história).

Palavra, puxa, palavra... e, chegámos a “K”.(Mas, aqui, já a história, é só nossa).

Contou-se, uma outra história, a propósito: ” A patroa, tinha por hábito, dizer “MERDA", em casa. Até que, um dia, a empregada, também, começou a dizer “MERDA”...
Nessa altura, a patroa, virou-se para a empregada e, disse-lhe: __” Fique a saber que, em minha casa, quem diz “MERDA”, sou eu. Sabe, porquê?!... Porque, na sua boca, “MERDA” é “CÓCÓ”; mas, na minha boca, “MERDA” é “BOM-BOM”...”

Todos nos rimos. Mas, vendo bem, não há razão, para isso... Até porque, “MERDA” vem no Dicionário, e, “CÓCÓ”, não.

Dizem que, “o sentido de humor é uma manifestação de inteligência”. Para mim, todos os que ali estávamos, temos sentido de humor. Mas, desta, vez, valha-me a pretensão, acho que não acho piada nenhuma. Penso, pelo contrário: __”Até onde pode ir a discriminação!..."


.

PARA ONDE FOSTE?!...

.
.
.



.



Era Sábado. Vi a tua fotografia entre as milhentas que estão guardadas. Saltaste do pequeno monitor. Atrevi-me a usá-la.

PARA ONDE FOSTE?!...

Nunca se sabe. Onde estás?!... Não se sabe. O que fazes?!... Com quem estás?!... Não se sabe.

Estarás numa África qualquer __ Quénia, Cabo Verde?... Num passeio adiado ao Japão?... Nalgum ponto da Europa? São, e, foram tantos... Na América do Sul, onde foste porque, quem te quer bem, te levou a um dos países “mais lindos, naturais e selvagens"... No México, onde irias, já que ninguém te poderia acompanhar?!...

Resumindo: num qualquer lugar onde tens ou fazes “milhões de amigos”, embora “do peito, do peito”, não sejam muitos.

Tenho, por norma, não dar a cara das pessoas nos meus “posts”, a menos que sejam “públicas” ou que, esse retrato, seja “essencial”, e, mo seja permitido fazê-lo.

No entanto, neste caso, não pedi autorização, porque dar a cara, dás tu todos os dias... E, mais do que isso, tens várias caras __ a de cantora, “empresária”, escritora e tantas outras coisas. Às vezes, não sabemos bem qual é a tua cara. Mas, não nos acontece, isso, a todos nós?!... A uns mais do que a outros.

Como te dizia. Não peço autorização. Neste momento não sei onde estás. Por isso, não te posso pedir essa autorização. Mas, certamente, estarás entre alguns dos teus amigos. Sejam eles “do peito, do peito” ou os que o não são tanto.

Não sabemos quando vens, ou de onde vens. Por isso, não vou esperar.

Quando se diz que, "o girassol é a flor da amizade", isso é bem verdadeiro. Sim, seja ela pelos teus "meninos tão doces cor de chocolate"; pelos “fans”, de palmo e meio, da Pipa; pela tua professora de Jazz; os teus companheiros de banda... E, fico-me por aqui. Porque, dar a cara, sim. Mas, não tanto.

Hoje, o que interessa, é esta cara aqui. Para onde quer que tivesses ido, e, quando quer que chegues
.
..
.

MALA DE CARTÃO NA MÃO E 300 EUROS

.
.
.
(NET)


Fez 65 anos. Recebeu uma carta da Segurança Social. Estava reformada. A partir dali, “já não precisava de trabalhar mais.” “Já não deveria trabalhar mais.” Iria passar a receber 300 euros por mês.

Houve quem dissesse: __”Já não é mau...”

Nós, dizemos: __”É pouco. Muito pouco.”

Aos 16 anos, veio para Lisboa. Vinha lutar pela vida. Mala de cartão numa mão, esperança de uma vida melhor na outra. Veio servir para a Capital.

__”Vá, minha filha!... Faço confiança em si.”

__”Vais-te perder. Vais entrar na má vida.”

Foi. E, tem sido uma lutadora. Como sempre, aliás. Ajudou a criar os irmãos, comeu as esmolas que lhe deram. Trabalhou toda uma vida. Não a deixaram ir à escola.

Mas, ela, tinha uma mala de cartão. Ela, veio sozinha para a Capital. Ela, tinha um sonho: melhorar de vida... E, quem sabe a dos irmãos e dos pais, e, já agora, a da Madrinha Clarinha, a da Madame Dill, e da vizinha que tinha tuberculose e ninguém queria tratar, enfim ... com quem se foi cruzando, ao longo do seu dia-a-dia... Ao longo dos anos. Ao longo da vida.

Sempre, de sorriso no rosto. Sempre, com uma palavra amiga. Sempre, pronta a ajudar.

Trabalhou duro durante toda a vida. Sempre, dedicada. Sempre, esforçada..

Agora, chegou a hora de descansar. Tem 65 anos. Tem problemas nos ossos, nas pernas, problemas de circulação. Continua com entusiasmo. Mas, está na hora de descansar. Tem 65 anos.
.
Está na hora da sua reforma. De aproveitar o tempo que lhe resta para poder descansar e usufruir de uma vida de trabalho esforçada mas, entusiasta. Por isso, merece os 300 euros.
.
Sim, é justo, na sociedade que temos.

Até, porque, já não é mau, para quem chegou, à Capital, com uma mala de cartão na mão, e, a cabeça cheia de sonhos
...
.
.
.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

PARA ONDE FOI O CÃO DA NOSSA RUA?!.... FECHA-SE UM CICLO?!...

.




.

Havia destes cãezinhos, por todo o lado, no Concelho de Cascais.


Deixei de os ver.


No entanto, na nossa rua, ficou este. Até, ontém...


Há, uns dias, apareceu com estas fitas a "amordaçá-lo".
Isso, incomodava-me.


São de cartão... Mas, ainda assim.


Ontém, quis tirar-lhe as fitas.
Estava decidida a parar o carro, quando fosse para casa, e arrancá-las.


Quando ia para fazê-lo, a imagem daquele cãozinho a que já me habituara, tinha desaparecido.
Aquele cãozinho que, há tanto tempo, nos dava as boas vindas quando chegávamos à nossa rua, já lá não estava...


O que ficou?!... Uns restos de fitas...

Porquê?!... Porque desapareceu ele, logo, agora, que lhe ia tirar as fitas?!...
Terá sido, o fim, de um ciclo?!...
Será para que, nos deixa, a falar, por ele?!...
.



.

DIFERENTES?... COMO DEVERIAMOS PARECER?...

.



(NET)

.
.
Faz já alguns anos, estava numa crise profunda. Pais, irmão, marido e filho, angustiados.
.
__”Traga-me cá a sua menina...”
.
É uma mulher bonita, elegante, charmosa, frontal, bastante culta e interessante. Mas, acima de tudo, uma lutadora perante as adversidades da vida.
.
Hoje, luta, sozinha, para fazer vencer o filho. O marido tinha a mesma doença que eu. Morreu-lhe no corredor de um hospital, com a mesma doença que ía levando o nosso filho.
.
Essa mulher, correu mundo. Cedo saiu de casa da mãe, para fazer a sua vida, sedenta de liberdade. Mas, Lisboa, era demasiado perto. E, então, os “States”?!... Aí se fez cabeleireira, em Washington, frente à Casa Branca. Aí casou, aí teve o seu filho. Filho que, agora, vai, também ele, para longe, para a Escócia, fazer o seu curso universitário. Ainda que, para isso, tenha que vender a casa onde vive, se preciso for. Tal como fez com o Salão que teve.
.
__”Traga-me a sua menina...”
.
Foi esta Mulher que, um dia, se queixou de atitudes e preconceitos como: __”Oh!... É cabeleireira?!... Nem parece!...”
.
Eu, pergunto: __”O que é “uma cabeleireira”... Como é que tem que parecer?!...”


Hoje, fui ter com uma outra cabeleireira, a C.. Ia à procura dela ou do M. O M. não estava e, ela, já tinha todo o tempo ocupado. __"Então, não faz mal, pode ser o R..."









A C. Aceitou o meu pedido para a fotografar, dizendo-me: __”Com certeza. Nunca ninguém me tinha pedido isso.” E ouvi-a comentar, “Na minha vida, acontecem-me coisas inesperadas, de pessoas inesperadas...”
.
É uma moça bonita, simpática, meiga e determinada... Conheço-lhe as mãos.

.
Como fiquei a conhecer as mãos do cabeleireiro R.





O que têm de comum todos eles?!... __ São cabeleireiros. Gostam do que fazem. Procuram ser tão profissionais quanto podem. Não tratam só dos cabelos. Tratam também do que está por baixo.
.
Com as sua mãos, libertam o sujo dos cabelos e limpam o ânimo de quem penteiam.
.
Por isso, podemos dizer, “Obrigada, por cuidarem dos nossos cabelos, da nossa auto-estima e do nosso ânimo...”
.
Talvez, seja, também isso, ser cabeleireira ou cabeleireiro... o mesmo se poderá dizer de costureira, ou talhante, ou merceeiro, ou caixa de supermercado e tantas outras profissões...
.
Não são os Dr.s e Eng.s que fazem de nós pessoas melhores.
.
Não são os Dr.s e Eng.s que fazem de nós pessoas mais capazes e inteligentes.
.
Não são os Dr.s e Eng.s que fazem de nós pessoas mais importantes e poderosas.
.
Será que, os Dr.s ou Eng.s, fazem de nós pessoas que souberam aproveitar as oportunidades que a vida nos deu para adquirirmos novas ferramentas que nos permitem alargar os nossos horizontes e facilitar as nossas capacidades noutras coisas?!...
.
Fica uma certeza. Somos todos seres pluricelulares. Por isso, muito difícil de sermos iguais. Em todos nós corre sangue nas veias. Temos todos as capacidades que temos.
.
Temos todos sonhos e vontades que são diferentes, porque também nós somos diferentes. Tão diferentes quanto os nossos ritmos de aprendizagem, de vontade e de esforço.
.
Isso, sim, faz-nos diferentes.

.

.

ADEUS, MICHAEL JACKSON, VIVESTE A VIDA QUE TE FOI POSSÍVEL...

.



(NET)

Michael... Menino prodígio. Vida intensa. Força de querer. Fraqueza de ter.

Viveu para fazer viver.

Morreu como viveu, chama acesa que, de repente, se apagou.



(NET)

Sofreu. Sofreu, por não querer ser o que era __ menino prodígio, mas, com pele negra.
.
Sofreu, porque, menino talentoso que era, que viveu e tão bem se deu, não queria a capa negra que lhe tinha sido dada.
.
Menino prodígio, que poderia ter sido completamente realizado e bem mais feliz, se se tivesse aceitado como era.
.
Então, sim. Teria sido idolatrado pela chama acesa dos dons que lhe foram dados e pelo orgulho de ser quem era. __ Menino prodígio de pele negra!...
.
Sonhaste. Fizeste sonhar. Mas, o sonho maior que é o de sermos quem somos, passou-te ao lado...
.
Resta a esperança de nos teres deixado a tua lição __ aceitar o que não podemos mudar.
.
.
.
.

UMA HISTÓRIA REAL- A BONDADE DO SENHOR FLEMING

.
.
Recebi este E-mail de uma amiga A:
.
"UMA HISTÓRIA REAL"

Havia um homem que se chamava Fleming e era um pobre lavrador escocês.
.
Um dia, enquanto trabalhava para ganhar o pão para a sua família, ouviu um pedido de socorro proveniente de um pântano que havia nas redondezas.
.
O Sr. Fleming, largou tudo o que estava a fazer, e, correu ao pântano. Lá, deparou-se com um rapazinho enterrado até à cintura, gritando por socorro e tentando, desesperadamente, e em vão, libertar-se do lamaçal onde caíra.
.
O Sr. Feming retirou o rapazinho do pântano salvando-o, assim, da morte.
.
No dia seguinte, chegou uma elegante carruagem à sua humilde casa, de onde saiu um nobre elegantemente vestido, que, se lhe dirigiu, apresentando-se como o pai do rapazinho que ele salvara da morte certa.
.
__”Quero recompensá-lo”, disse o nobre. “O Senhor salvou a vida do meu filho”.
.
__”Não posso aceitar dinheiro, pelo que fiz”, respondeu, o lavrador escocês. Nesse momento, o filho do lavrador assumou à porta da casa.
.
__”É seu filho?”, perguntou o nobre.
.
­­__”Sim.”, respondeu orgulhosamente o humilde lavrador.
.
__”Então, proponho-lhe o seguinte: Deixe-me proporcionar ao seu filho o mesmo nível de instrução que proporcionarei ao meu. Se o rapaz sair ao Senhor, não tenho dúvida alguma de que se converterá num homem de que, ambos, nos orgulharemos.
.
Então, o Senhor Fleming, aceitou.
.
O filho do humilde lavrador frequentou a escola e licenciou-se em Medicina na famosa Escola Médica do St. Mary’s Hospital de Londres.
.
O filho do Sr. Fleming tornou-se um médico brilhante e ficou mundialmente conhecido com Dr. ALEXANDER FLEMING, ao descobrir a PENICILINA.
.
Anos depois, o “rapazito” que havia sido salvo do pântano adoeceu com uma pneumonia.
.
E, desta vez, quem salvou a sua vida? A PENICILINA!...
.
.
.
. (NET)
Quem era o nobre, que investira na formação do Dr. Alexander Fleming?.
Sir Randolph Churchill...
E, o filho do nobre, que foi duas vezes salvo pela família Fleming?
SIR WINSTON CHURCHILL

(NET)
.
.
.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

EM BUSCA DE AJUDA... EM BUSCA DE UMA CHAVE.

.





Primeiros passos...



Porquê aqui?!...



Era manhã. Como ao longo de tantos anos, encontrei-as sorridentes, bem dispostas... Quiseram dar a cara. Cara que tantos conhecem __ alunos, professores, colegas, pais...
.
Tão diferentes e tão iguais. Tão diferentes como todos nós. Mas, iguais na forma amiga de ajudar os seus meninos, cada uma à sua maneira... Na sua dedicação ao trabalho e disponibilidade que sempre me demonstraram...
.
Ainda, pude encontrar o senhor A. Sempre discreto, disponível e eficiente. Foi ele que fez encaminhar, de imediato, o cãozinho a quem de direito...
.
Neste local, há gente dedicada à ajuda dos outros, não só alunos, colegas ou, até mesmo, animais. Que melhor sítio do que uma escola para ultrapassar barreiras com iniciativas de solidariedade?!... Cabe a cada um encontrar a chave.

.
.
Porquê aqui?!...
"Bom Apetite"... Santa Casa da Misericórdia - Alvide
.
.
Rosto de menina, mãos de mulher, coração grande...
.
Conhecia-lhe o rosto, de sorriso doce e franco, há muito tempo.
.
Conhecia-lhe as mãos eficientes e profissionais.
.
Doces, reboçados e bolinhos, para miúdos e graúdos.
.
Não lhe conhecia tão bem o coração de aceitação e acolhimento...
.
Ao aperceber-me disso, entendi bem a resposta:
.
__" Nós, aqui, ajudamos toda a gente. Claro que podemos..."
.
.

JÁ TENHO A MINHA MOEDINHA DA SORTE...

.
ESTOU PRONTA PARA JOGAR.
PRONTA A JOGAR ESTE JOGO...
O JOGO DA VIDA...
ESPERO CONTINUAR A TER UM BOM "TEAM",
COMO TEM ACONTECIDO...





Querida, F. continuo a não receber os seus E-mails. Mas, o que importa, recebi-os quando tanto deles precisei. Quase em catadupas, mergulhando-me naquilo que de bom e de bonito outros tinham a partilhar...
Tenho tido outros E-mails, com outras origens e que, espero, lhe vão chegando.
.
Por aqui, sei que lhe chego. Também é um meio de comunicarmos.
.
Faça-me chegar a sua voz, que é como quem diz, as suas palavras.
.
Queria que este "blog" fosse mais do que uma partilha unilateral de momentos, ideias e imagens.
.
Queria que fosse interactivo.
.
Queria que fosse uma partilha de experiências e sentires.
.
Ainda, que fosse através dos COMENTÁRIOS...
.
Ainda, que eu tenha que ser a porta-voz.
.
Que fosse um espaço nosso...
-
Que possa servir um propósito maior : COMUNICAR!
.
E, nos permita usarmos as mãos mais facilmente!
.
.

Vamos dar as mãos e apertar as chuteiras...
.


.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PRECONCEITOS

.











Era o 1º ano de funcionamento do “Clube de Ciências” que, eu coordenava, juntamente com uma colega. Tratava-se de um pequeno grupo de alunos. Na altura, ainda não tínhamos instalações específicas. Os nossos pertences consistiam em duas ou três caixas de cartão com algum material, para além de alguns apetrechos de jardinagem, que guardávamos num vão de escada. O nosso espaço, era a sala que estivesse vaga na altura.

Por esta razão, para além de algumas actividades que exigissem pouco espaço, resolvemos voltarmo-nos para o exterior. E, dentro destas intervenções externas, propusemo-nos arranjar um dos canteiros junto à cerca. Iríamos plantar uns arbustos para fazer a vedação e uma meia dúzia de pinheiros.

Um dos funcionários da escola, (o senhor S) que nos dava muito apoio, disse-nos que tinha um galinheiro e que, por isso, desde que fossemos lá buscá-lo, nos dava estrume suficiente para adubar convenientemente as plantas. Óptimo...

Como combinado, estávamos todos prontos. Quem tinha botas de borracha levou-as. Conseguimos arranjar umas pás e uns sacos grandes. E, aí fomos nós, rumo aos galinheiros. O esterco já estava curtido. Deitámos mãos à obra. Com entusiasmo, aquele pequeno grupo, trabalhou com afinco.

Sacos cheios. Estava na hora de voltar. Quando chegámos ao portão da escola carregando os sacos, estava tudo em silêncio. Mas, mal passámos o portão, ouviu-se o toque de saída para o intervalo. Foi, então que fiquei perfeitamente espantada!... Aqueles miúdos que até ali tinham demonstrado uma determinação, um empenho e um entusiasmo enorme, de repente, desaparecem a pretexto de... uma desculpa pouco compreensível e deixam os sacos no chão... Não queria acreditar... A razão? Não queriam que os outros os vissem... Não há dúvida de que ainda vivemos numa sociedade muito dominada por preconceitos!... Até mesmo a nível da gente jovem.




Agora, tavez entendam, a pena que tenho por, "aquele canto" que, hoje, até tem bancos, não estar mais cuidado. Mas, há sonhos que se concretizam. Ainda, que se tenha que ultrapassar convenções e preconceitos...


.
.
.

DO OUTRO LADO DA CERCA



SONHAR, É REAL...
.
.



Na minha escola... Um sonho adiado?!...





Do outro lado da cerca, outros bancos surgiram...


Uns esperam...





Outros, são, já, uma realidade...


.

NO AR E DAQUELA JANELA....

.






DAQUELA JANELA, a quietude das cores quentes do nascer ou do pôr do Sol sobre os flocos de núvens  permitem-nos saber que estamos suspensos no ar...
.
DAQUELA JANELA, os pequenos fragmentos de gelo que, desenham cristais, deixando-nos adivinhar o frio fora dos vidros duplos... Um frio parado e límpido, acima do tapete de núvens que, se não nos deixa ver para baixo, deixa-nos ver o infinito __ um espaço liso e muito firme, o Sol e a Lua, círculos redondos, bem marcados. Desenhados a traço, fino, firme e frio.
.
DAQUELA JANELA, o rendilhado de ilhas; os carneirinhos do mar; as manchas verdes, castanhas e vermelhas dos solos trabalhados; as fitas marcadas dos rios que serpenteiam; os cinzas do asfalto; os infindos pontos luminosos das casas, dos monumentos e pontes; os côr-de-tijlo dos caminhos, estradas e telhados, também eles pretos...
.
Tudos isto, vemos, DAQUELA JANELA...
.
Convido-vos a abrirem esta nova janela. Aí, será mais fácil sentir a beleza das imagens que vemos DAQUELA JANELA, numa viagem de avião.
.
.
http://www.picsfromtheoffice.blogspot.com/


.

PERSISTÊNCIA

.
.
.






Joan Baez, Kenny Rogers, Jonh Denver, com o seu "Take me Home" ou "Country Road", Johnn Cash, e tantos outros, fizeram parte do meu imaginário e das minhas preferências musicais.

Ainda, hoje, mexem com os meus sentidos e, até, mesmo, com os sentimentos...


Foi, por isso, que fiquei tocada com as palavras de Joan Baez, ao lê-las. Ela, que foi, para mim, um exemplo de profissional, de talento e de Mulher...


"NÃO PODEMOS DECIDIR QUANDO VAMOS MORRER OU COMO...
MAS, PODEMOS DECIDIR, COMO VAMOS VIVER AGORA..."
.

Acrescentaria... se tivermos essa liberdade de escolha...
Sim. Sem dúvida, já é tempo...


.

PERFUME




Diz-se que, "sempre fica perfume, nas mãos de quem oferece rosas".


Mas, se não tivermos rosas para oferecer, sempre podemos oferecer uma margarida que tem pétalas brancas cor da paz; ou girassóis, flor da amizade; ou, um "pauzinho da sorte", que permanece verde, cor da esperança; uma pequena flor de nome desconhecido que se apanha na borda do caminho quando vamos, por exemplo, visitar uma amiga que acabou de nascer duas vezes __ primeiro, porque enganou a morte e lhe escapou, depois, porque teve o seu bebé, nascendo para a maternidade.


Se não tivermos mesmo mais nada, temos ainda uma última opção __ oferecer o nosso silêncio, a nossa amizade ou, ainda, a nossa presença.
.
Sou, mais uma vez, tão felizarda, que, muita gente, ficou com as mãos perfumadas por minha causa.
.
Também, e, para além disso, imensa gente me deu a oportunidade para que as minhas também ficassem a cheirar a perfume, pelo simples facto de eu gostar delas pelo aquilo que elas são... Assim, posso dizer: __" Obrigada, pela parte do perfume que me toca."