quinta-feira, 28 de julho de 2011

"A FATIA DE PÃO" - JARDIM DO JUNQUEIRO / PAREDE / CASCAIS

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Deixemo-nos de preconceitos... Mas, as mulheres, que me perdoem. Há umas que têm mais jeito do que outras!...

Não poderei dizer que a culpa foi do autocarro que avançou para o meio da estrada enquanto saía da paragem. A culpa foi minha que, calculando mal, "alarguei" instintivamente a curva para o "deixar passar" e lá fui embater no passeio.

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Resultado: o pneu rompeu e começou a perder ar.
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Diz-me o mecânico: __"No mínimo, e em velocidade, era um despiste..." De facto, o pneu estava roto e pronto a rebentar. E acrescentou: __"Isto é coisa de 20, 30 minutos..."
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Fui dar uma volta, para fazer tempo. Estava sem carro... Só mesmo a pé.
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É, então, que encontro esta criatura alada às voltas com uma velha fatia de pão caída no chão.
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Fome, fome, não teria... Mas que o depenicar, o levantá-la para o ar com o bico e o fazer rolar aquele pedaço de farinha cozida com sal e fermento lhe estava a dar muito gozo, ai isso estava... e ajudou-me a passar aquele tempo de espera com um entretenimento inesperado.
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Agora mais um...


Mais dois...




Finalmente, muitos...




(Parque do Junqueiro - Julho 2011)


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Quem diria que uma simples fatia de pão talvez deixada caída por alguma criança que por ali possa ter passado poderia ter tanto sucesso!....


Eram "20, 30 minutos"?!... Desliguei a máquina e abalei.

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terça-feira, 26 de julho de 2011

HISTÓRIAS QUE UM BANCO DE JARDIM TEM PARA CONTAR - PAREDE / CASCAIS

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( Jardim do Junqueiro- Parede. __ Julho 2011 ).
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Ruço dos raios de Sol, do cair da água da chuva, do vento que sopra do mar.
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Ruço das calças, das saias e dos calções que nele sentaram de cansaço ou por puro lazer.
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Arranhado por gatos, talvez... Ou por ponta afiada de mãos desocupadas, distraídas ou do "risca que ninguém vê", "deixo aqui a marca da minha passagem".
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Olhamos e que vemos?... Tábuas e pregos... e marcas da passagem do tempo, dos elementos naturais ou do simples abandono?...
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Quem já por aqui passou? O que é que ele ouviu? O que viu?

Talvez tenha presenciado amores, amizades, discussões, brincadeiras. Ouviu segredos, "fofocas". Acompanhou a partilha de palavras, sentimentos, de tempo e do simples estar-se, ser-se e, (quem sabe?!...) encontrar-se. Ou ainda o vazio de quem encontra a companhia que não tem naqueles que vai vendo passar.
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Um banco de jardim envernizado, ou pintado de verde ou de antracite cor da Arquitectura Urbana?!... Será que já foi assim?
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Hoje, é só de madeira vincada, manchada, sem cor que o defina. Mas é, certamente, um banco com histórias.

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domingo, 24 de julho de 2011

O MEU PRÍNCIPE NEGRO...

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(Foto tirada em Julho 2011)





Hoje, faz 25 anos que dissemos __"Sim!"
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Hoje, volto a dizer __"Sim!"
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25 anos depois de hoje, também diremos __"Sim!"?...
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Foram 25 anos com momentos extremamente felizes. 25 anos de companheirismo. 25 anos de "aventuras". 25 anos de partilha de projectos. 25 anos de entre-ajuda. 25 anos em que predominou a amizade, o desculpar dos pequenos senãos, a aceitação __ cada qual é como é... nem tudo pode estar à nossa medida... mas a presença é constante quando o momento o exige...
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Foram 25 anos em que tivemos momentos de profunda dor e sofrimento mas com um suporte tão forte que o barco seguiu em frente com a força de quem nos ajuda a remar.
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A rosa de que mais gosto é o Príncipe Negro. Faz hoje 25 anos que partilho a vida não com um príncipe negro, não com um príncipe encantado, não com um príncipe... Mas sim com o companheiro que espero até ao fim dos nossos dias. O companheiro que me ofereceu "o meu Príncipe Negro".
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terça-feira, 19 de julho de 2011

QUE PLANTA É ESTA?

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(Viveiro "Planta Viva" - Foto tirada em Julho de 2011)
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Com uma expressão algo fechada e seguro do que faz, foi esta a nossa primeira impressão. Ao irmos ter com ele ao viveiro de plantas, ficámos agradavelmente surpreendidos. Ficámos surpreendidos tanto pelo que vimos como pela transformação do homem que agora estava connosco e era o grande responsável por tudo que podíamos vislumbrar à nossa volta. Ele contáva-nos, agora, parte da sua vida e como ali tinha chegado. Um exemplo de querer, disciplina e de sobrevivência.


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Mostrou-nos tudo o que havia para ver. Explicou-nos a origem das plantas, o seu comportamento, como eram transportadas e produzidas... Até que nos aproximámos de uma zona onde se perfilavam numerosas plantas de baixo porte, com folhas aveludadas de um cinzento esverdeado e cachinhos de flores amarelas... Dobrou-se e arrancou algumas folhas que nos deu a cheirar...

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__"Vejam se descobrem o que é." O cheiro não nos era estranho, mas não o conseguimos identificar...

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__"É o caril. A planta do caril."

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Foi aí que reconhecemos aquele cheiro que tantas vezes veio dos nossos pratos.

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Rapidamente se desfez o equívoco. O caril que se usa na culinária para o tempero de vários pratos como o arroz, é muito complexo. É feito à base da mistura de variadas plantas como: pó amarelo de açafrão-da-Índia, cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, pimenta-da-Jamaica, pimentão, alecrim, entre outros. Existem caris que chegam a levar 70 plantas diferentes.

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Mas, há as "plantas que cheiram a caril", como é o caso desta __ a Erva-do-caril (Helychrisum italicum).

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A Erva-do-caril, diz-se que é imortal. Cresce em estado selvagem no Sul da Europa, na bacia Mediterrânica. É originária da Córsega, em França. O óleo da Erva-do-caril é raro e precioso. Possui propriedades excepcionais sob vários pontos de vista __ anti-hematoma; anti-coagulante; anti-flebítico; anti-espasmódico; mucolítico e cicatrizante...


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Quem diria que estávamos perante uma planta com tanto potencial!...






(Informações sobre a Erva-do caril e o caril, adaptadas da NET)




domingo, 17 de julho de 2011

GARNISÉS

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(Leceia - Foto tirada em Maio de 2011)




__ "Porque é que são especiais?"


__"Porque são bonitos, garbosos, atrevidos e, sobretudo, independentes..."



Vendo bem, são boas razões para serem especiais...



A beleza cada um tem a que tem... o atrevimento vai do nosso temperamento...



Mas, a independência cabe-nos a nós procurar consquistá-la.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dª JULIETA __ O QUE REALMENTE IMPORTA...

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(2011)




__ "A Dª Julieta (mãe) morreu, sabia?!..."


__"Não..."


__"Foi no fim-de-semana. Morreu tranquila. A sua velinha apagou-se."


A Dª Julieta (mãe) era uma senhora com 96 anos, cabelos brancos, sempre amável e senhora da sua independência. Poucas vezes me cruzei com ela. Pouco ou nada sei da sua vida. Só sei o que me foi sendo dado ver ao longo dos anos __ sempre tranquila e gentil. À medida que o tempo foi passando foi-se tornando numa espécie de avezinha frágil mas determinada. Enquanto pôde, deslocava-se com a filha para arranjar os seus bonitos cabelos brancos. Até que a chama se apagou no fim-de-semana...


Hoje, está reduzida a cinzas. Foi essa a sua vontade.


Foi, então, que pensei: __" A vida é tão curta... Para quê tanta zanga?!..."


Se formos bafejados pela sorte, porque não fazemos como ela: viver tranquilamente e desligar do que não interessa?!...


Mais uma lição de vida entre tantas que nos rodeiam. Mas, às vezes, somos alunos muito burros. São momentos como estes que nos reforçam a intenção de tentar melhorar. Se o conseguimos não sabemos. Mas, por instantes, até pensamos que somos capazes...



terça-feira, 12 de julho de 2011

VELHO COMPANHEIRO DE TRABALHO

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(Foto de Julho de 2011)




Sacudido, amolgado, um pouco roufenho já, mas lá anda sempre atrás...


Pelo som das vozes que dele saiem, das suas melodias, marca uma presença...


Faz companhia no dia que vai avançando ao ritmo do trabalho do seu companheiro que o leva sempre consigo e o procura acompanhar numa balada desafinada mas que suaviza a passagem do tempo e incentiva o gosto por aquilo que faz com a paciência de quem ainda jovem tem brio no seu ofício.




sexta-feira, 1 de julho de 2011

OS MALMEQUERES AMARELOS

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(Fotografia tirada em Junho de 2011).


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Remodelações dos jardins... das caldeiras das árvores dos passeios...


Raízes soltas jaziam no chão. Pétalas amarelas caídas das flores arrancadas. Folhas que começavam a encarquilhar agora que os seus caules estavam despegados da terra.


Os malmequeres amontoavam-se desordenados na calçada do passeio, prontos para serem levados para o lixo.


__"Mãe, olha só... Tão lindas que são e estão a deitá-las fora."


Com o desvelo que sempre dedicou a tudo quanto é bicho, planta ou mineral, foi apanhar alguns pés.


__"Olha, Mãe. Podíamos pô-los no nosso quintal."


Anos passaram e os malmequeres voltaram a ter as suas flores amarelas com pétalas viçosas e folhas verdejantes, transbordando de novas caldeiras.


Passados estes anos, ainda lembro aquela tarde de sol em que os dois subíamos a rua larga pelo passeio, e ele disse: __"Mãe... Olha só. Tão lindas que são..."


Ele cresceu... e os malmequeres amarelos também se renovam todos os anos.



LARANJAS

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Fazíamos parte do mesmo tempo... do mesmo momento... do mesmo instante... nunca nos tínhamos visto. Apenas escolhíamos as nossas laranjas...


(Imagem retirada da NET)






Estou frente à bancada da fruta, quando ouço dizer:

__" Desculpe, mas não "pesa" as laranjas com a mão?... Se são grandes e leves é porque são cascudas."

__" Não. Normalmente, escolho-as pala cor. As mais laranja, devem também ser as mais doces."

Responde a senhora:

__" Tem graça... Nunca tinha pensado nisso!"



Vamos aprendendo uns com os outros mas, acima de tudo, sabemos que não estamos sós ainda que seja pelo simples facto de estarmos a escolher as nossas laranjas...


Isto também deve ser vida!... A descontracção, o espontâneo, a entreajuda, o estar-se...


É... os estabelecimentos comerciais não oferecem só produtos para venda, também criam um espaço de partilha de emoções e de ligação ainda que fugaz entre quem lá vai.




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... E NA GRÉCIA?

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(Imagem da NET)


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Quando vi os desacatos na Grécia, pensei: "Afinal, mesmo nos dias que correm hoje, a Europa que se pretendia democrática, também não é assim tão pacífica e civilizada. Bem que o desespero pode levar a situações impensadas e explosivas... Só não há catanas, mas há pedras, cocktails molotov, bastões, armas e uma vontade enorme de destruir ou de reprimir, quaisquer que sejam as razões de parte a parte."
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(Imagem retirada da NET)