segunda-feira, 30 de abril de 2012

A NOSSA CASA VELHINHA







Que não fiquem debaixo do cimento
mais de vinte anos de alegria e dor.
Não lhe pintem a chuva, o sol, o vento,
que a cor do tempo é mesmo assim: vaga e incolor.


Imagens pintadas na alma,
Cravadas no coração,
Na lembrança de quem ali viveu,
E na memória de quem não esqueceu...

Fendas e manchas deixadas nas paredes,
Outros sinais da passagem do tempo,
Das vidas nela vividas
E da vontade de mudança...

Levamo-la inteirinha connosco,
Encapsulou aquilo que já não volta,
Momentos para sempre guardados,
Na história daquela casa e da vida de quem mudou.


(Primeiro verso inspirado num poema de Fernanda de Castro)


quarta-feira, 18 de abril de 2012

CÂNTICO DA TERRA

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(Foto tirada em Abril de 2012 no nosso jardim)



Lembro-me da canção das nossas aulas de Canto Coral, quando ainda menina: "Em Abril a Primavera engrinaldada de flores. É Abril nova era de perfumes e de amores...".
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Nesta Primavera radiante de Sol, finalmente, a terra foi benzida pela chuva. Caiu pouca, é certo! Mas fecundou uma terra sedenta que brotou em grinaldas de flores. Foi assim que, quase por milagre, nos apercebemos dos delicados cachos de flores brancas a engalanar o rebordo do nosso quintal.
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Terra... fonte de vida. De onde tudo brota e a que nós retornaremos um dia...
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Terra... cantada por tantos poetas desde de que o tempo é tempo e a poesia brotou...



Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
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Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
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Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
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A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
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E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.
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Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.



(Poema retirado da NET da autiria de Cora Coralina)